Em 2026, uma coisa tem ficado bem clara nas conversas com clientes aqui na Lima Contabilidade: o Simples Nacional continua existindo… mas a simplicidade, como a gente conhecia, ficou para trás.
E isso não aparece primeiro na alíquota. Aparece na operação.
Na nota que não valida.
No cadastro que não bate.
No sistema que simplesmente não deixa faturar.
O que mudou na prática (e onde começa o problema)
A Reforma Tributária (LC nº 214/2025) trouxe a CBS e o IBS. Isso todo mundo já ouviu.
O que nem todo mundo percebeu ainda é o nível de detalhe que passou a ser exigido.
Antes, muita empresa do Simples operava com uma estrutura mais enxuta, menos técnica. Funcionava.
Agora não funciona mais assim.
Se a classificação estiver errada, a nota não sai. Simples assim.
E quando a nota não sai, não tem faturamento. Aí o problema deixa de ser fiscal e vira caixa.
O novo peso das classificações
Aqui é onde muita empresa começa a sentir de verdade.
Hoje, emitir uma nota exige um nível de organização que, até pouco tempo atrás, não era cobrado do Simples.
Não estamos falando só de NCM ou CST.
Entram novas classificações, novos códigos, nova lógica de enquadramento — inclusive aquelas ligadas diretamente ao IBS e à CBS, como a ClassTrib.
Parece detalhe técnico. Não é.
Um produto com classificação errada pode:
- sair com alíquota incorreta
- gerar crédito errado para o cliente
- ou simplesmente travar a emissão da nota
E isso acontece.
Temos observado casos em que o problema não está na venda, nem no preço… está no cadastro.
Sistema: o gargalo que ninguém quer olhar
Tem um ponto que muita empresa ainda está subestimando: o sistema.
Não adianta entender a regra e não conseguir aplicar.
Na prática, o que temos visto é empresa com dificuldade para faturar porque o layout da nota não acompanha a legislação.
Campos novos.
Parametrização incompleta.
Integração que não foi feita.
E aí não tem muito o que discutir. A operação para.
A orientação aqui é direta: não dá para assumir que o sistema está pronto. Precisa testar. Precisa validar. E, em muitos casos, precisa ajustar muita coisa antes.
O impacto comercial (e pouca gente está olhando para isso)
Outro ponto que começa a aparecer — ainda tímido, mas já relevante — é o impacto na relação com o cliente.
Com o avanço do modelo não cumulativo e a retirada gradual da substituição tributária, o crédito voltou para o centro da conversa.
E isso muda o jogo.
Se a sua empresa está no Simples e não gera crédito — ou não está estruturada para o modelo híbrido —, você pode começar a perder espaço.
Não por preço.
Por estrutura tributária.
Isso já começou a aparecer em alguns setores. E tende a aumentar.
E o Simples ainda é simples?
Essa é a pergunta que mais escuto.
E a resposta, sendo bem direto, é: depende.
Ele continua sendo um regime simplificado na estrutura legal. Mas, na prática, a operação ficou mais exigente.
Mais controle.
Mais tecnologia.
Mais critério.
E ainda tem um ponto importante: a regulamentação continua evoluindo. Nem tudo está fechado.
Só que a operação não espera.
Meu conselho para este momento
Aqui não tem muito espaço para romantizar.
Quem continuar tratando o Simples como automático vai ter problema.
O que temos orientado na prática:
Revisar cadastro — produto e serviço.
Validar se o sistema está pronto de verdade (não só “teoricamente”).
Entender onde a empresa está na cadeia — se depende ou não de crédito.
Sem isso, qualquer decisão vira aposta.
O que temos feito na prática
Aqui na Lima, a abordagem tem sido bem objetiva.
Antes de qualquer movimento, a gente testa o cenário.
Olha cadastro.
Valida sistema.
Simula impacto — principalmente no fluxo de caixa.
Porque, no fim, não é só imposto.
A reforma está mexendo na lógica da operação.
E quem percebe isso agora sai na frente. Quem deixar para depois, provavelmente vai aprender do jeito mais caro.
Reynaldo Lima Jr.
CEO — Lima Contabilidade