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IBS e CBS em 2026: o detalhe que muita empresa ainda não percebeu

Se eu perguntasse hoje quantos empresários acreditam que IBS e CBS só começam em 2027, provavelmente a maioria levantaria a mão.

Essa resposta até faz sentido.

O problema é que ela não conta toda a história.

Nas últimas semanas esse assunto apareceu várias vezes aqui na Lima Contabilidade. E não porque surgiu uma lei nova. Na verdade, durante alguns atendimentos percebemos que um detalhe importante da regulamentação continua passando despercebido por muita gente.

A reforma tributária ainda está em transição.

Mas isso não significa que ela esteja parada.

Ela já começou a produzir efeitos, principalmente para empresas que estão no Lucro Presumido e no Lucro Real.

Quando saiu a notícia de que o prazo para adaptação dos sistemas havia sido prorrogado, muitos empresários respiraram aliviados. A impressão era simples: “ganhamos mais alguns meses”.

Só que a conversa não termina aí.

A emissão da nota fiscal passou a ter um papel diferente dentro da reforma. Ela deixou de ser apenas o documento que registra uma venda. Neste período de transição, ela também demonstra que a empresa está cumprindo uma obrigação prevista na nova legislação.

Pode parecer apenas um detalhe técnico.

Mas é justamente nesses detalhes que costumam surgir os maiores problemas.

Muita gente imagina que adaptar a nota fiscal significa apenas acrescentar dois campos, um para o IBS e outro para a CBS.

Quem já começou esse trabalho sabe que está longe de ser só isso.

Os layouts mudaram.

Entraram novas classificações tributárias, novos códigos, novos campos obrigatórios e novas informações que precisam conversar entre si.

Dependendo do sistema utilizado, não basta atualizar uma versão do software. É preciso revisar cadastros antigos, conferir parametrizações e verificar se produtos e serviços continuam classificados corretamente.

Tem empresa descobrindo isso agora.

Outro ponto que merece atenção é que nem sempre a empresa consegue resolver tudo sozinha.

Em muitos casos, principalmente nas notas fiscais de serviço, a adequação depende do ambiente disponibilizado pela própria prefeitura.

Alguns municípios avançaram rapidamente.

Outros ainda estão ajustando seus sistemas.

Por isso, temos orientado nossos clientes a acompanhar não apenas o fornecedor do ERP, mas também o município onde a nota será emitida. Parece um detalhe pequeno, mas pode fazer toda a diferença quando chegar o momento de faturar.

Quando esse assunto aparece, normalmente a primeira pergunta é sempre a mesma:

“Vou precisar recolher IBS e CBS agora?”

Curiosamente, essa nem costuma ser nossa maior preocupação.

O que realmente nos preocupa é outra situação.

Imagine a empresa chegar no início do mês, precisar emitir uma nota para receber de um cliente importante e descobrir naquele momento que o sistema não está preparado.

Não conseguir faturar por uma questão operacional pode gerar um impacto muito maior do que qualquer discussão tributária.

É justamente por isso que temos insistido tanto na preparação antecipada.

Também vale separar as situações.

As empresas enquadradas no Simples Nacional continuam seguindo regras específicas durante essa fase de transição e, neste momento, não estão obrigadas ao destaque do IBS e da CBS como acontece com os demais regimes.

Já para empresas do Lucro Presumido e do Lucro Real, essa adaptação deixou de ser um assunto para depois.

Quanto maior a operação da empresa, maior costuma ser a dependência desses ajustes.

E maior também o prejuízo caso o processo pare.

Aqui na Lima Contabilidade, nossa preocupação tem sido muito mais operacional do que tributária.

Antes de discutir alíquotas, estamos revisando cadastros.

Conferindo layouts.

Validando sistemas.

Conversando com fornecedores de software.

Pode parecer excesso de cuidado.

Mas preferimos encontrar um problema agora do que descobrir tudo isso no dia em que a empresa precisar emitir uma nota para fechar o faturamento do mês.

Existe uma sensação de que a reforma tributária ainda está distante.

No dia a dia do escritório, essa percepção já mudou faz tempo.

Ela começou de forma silenciosa.

Primeiro alterando layouts.

Depois exigindo novas informações.

Agora modificando processos internos que pareciam consolidados há anos.

Ainda estamos em um período de transição, é verdade. Alguns pontos continuam dependendo de regulamentação e ajustes técnicos.

Mas uma coisa já ficou evidente.

Esperar a obrigatoriedade total para começar a se organizar dificilmente será a decisão mais segura.

Quem aproveitar este momento para revisar processos, sistemas e informações terá muito mais tranquilidade quando a próxima etapa da reforma entrar definitivamente em vigor.

Reynaldo Lima Jr.
CEO — Lima Contabilidade

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