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Simples Nacional na Reforma Tributária: o que muda para quem vende para outras empresas

Em 2026, uma das discussões que mais tem aparecido nas conversas com empresários é o futuro do Simples Nacional.

E a dúvida é bastante razoável.

O Simples continua existindo, continua sendo importante para milhões de empresas e continua fazendo sentido em muitos casos. O que mudou foi a forma de analisar se ele continua sendo a melhor escolha para cada negócio.

Isso porque a Reforma Tributária trouxe uma questão que, até pouco tempo atrás, não fazia parte da decisão de muitos empresários: o crédito tributário que a sua empresa gera para o cliente.

Esse ponto pode parecer técnico, mas tem uma consequência comercial bastante concreta.

 

O problema começa quando o seu cliente também é uma empresa

No modelo tradicional do Simples Nacional, a empresa recolhe seus tributos dentro do regime simplificado. Só que existe uma diferença importante em relação ao novo sistema de IBS e CBS.

A Reforma Tributária trabalha com a lógica da não cumulatividade. Em termos simples, quem está na cadeia pode aproveitar créditos dos tributos pagos nas etapas anteriores.

É uma lógica que já existe em outros regimes e que agora ganha outra dimensão com o IBS e a CBS.

Para uma empresa que vende diretamente ao consumidor final, essa questão pode ter um peso menor.

Mas imagine uma empresa do Simples que fornece produtos ou serviços para outra empresa, especialmente uma empresa maior, que precisa aproveitar créditos tributários.

A conversa muda.

O cliente começa a olhar não apenas para o preço que está pagando, mas também para o crédito que consegue aproveitar daquela compra.

E isso pode influenciar a decisão de compra.

 

É aqui que entra o Simples híbrido

Foi justamente nesse contexto que surgiu o chamado modelo híbrido do Simples Nacional.

A ideia é permitir que a empresa continue com parte dos tributos dentro da lógica do Simples, mas trate IBS e CBS de forma separada, seguindo a sistemática de não cumulatividade.

Na prática, isso cria uma alternativa para empresas que precisam participar da cadeia de créditos sem necessariamente abandonar completamente o Simples.

Mas não existe almoço grátis.

O modelo pode resolver uma questão comercial, mas aumenta a complexidade da operação.

A empresa passa a precisar de mais controle, mais informação e um sistema capaz de tratar corretamente essas operações.

É aí que começa uma discussão que, na nossa visão, ainda está sendo pouco explorada.

O Simples continua simples para quem?

Porque uma coisa é olhar apenas para a alíquota.

Outra é olhar para o negócio inteiro.

 

O preço do produto pode não contar toda a história

Vamos imaginar duas empresas vendendo o mesmo produto.

Uma está no Simples tradicional e consegue oferecer um preço menor. A outra está em uma estrutura que permite ao comprador aproveitar mais créditos tributários e, por isso, apresenta um preço um pouco maior.

À primeira vista, a empresa mais barata parece ser a escolha óbvia.

Mas, quando o comprador coloca o crédito na conta, a diferença pode diminuir bastante.

É justamente esse tipo de cálculo que começamos a fazer com nossos clientes.

Não basta perguntar quanto a empresa vai pagar de imposto. Precisamos perguntar também quem compra dela, como esse cliente está tributado e qual é o impacto do crédito na negociação.

Essa análise muda bastante a decisão.

 

B2B e B2C podem ter comportamentos diferentes

Esse é um ponto que merece atenção.

Se uma empresa vende predominantemente para consumidor final, a questão do crédito pode ter uma influência menor na decisão comercial.

Agora, quando boa parte do faturamento vem de outras empresas, principalmente empresas do Lucro Real ou de estruturas que aproveitam créditos, o cenário é outro.

Nesse caso, permanecer no Simples tradicional pode produzir um efeito que não aparece na guia de impostos: a perda de competitividade comercial.

Não significa que toda empresa B2B deva sair do Simples.

Longe disso.

Significa que a decisão precisa deixar de ser automática.

 

O custo da mudança também precisa entrar na conta

Existe outro lado dessa discussão que às vezes fica esquecido.

Adotar uma estrutura mais complexa significa também aumentar o custo de operação.

Será necessário revisar sistemas, processos, cadastros, emissão de documentos fiscais e controles internos. Dependendo do negócio, isso pode exigir investimento em tecnologia e acompanhamento contábil mais próximo.

Por isso, não adianta olhar somente para a diferença de tributação.

Temos que colocar na mesma conta o custo operacional da mudança.

Em alguns negócios, o modelo híbrido pode fazer sentido. Em outros, o Simples tradicional continuará sendo mais adequado. E haverá situações em que vale estudar inclusive outros regimes tributários.

Não existe uma resposta única.

 

A Reforma está mudando a forma de pensar o Simples

Durante muito tempo, a pergunta era relativamente simples:

“Qual regime faz a empresa pagar menos?”

Essa pergunta continua importante, mas já não é suficiente.

Hoje precisamos olhar para a cadeia inteira.

Quem são os clientes?

Quanto das vendas é B2B?

Quanto é B2C?

Os clientes aproveitam créditos?

Qual é a margem da empresa?

Quanto custa operar dentro de uma estrutura mais complexa?

E, principalmente, qual será o efeito disso na formação do preço?

Essa análise passa a ser muito mais importante durante o período de transição da Reforma Tributária.

 

E ainda temos a questão operacional

Outro ponto que temos observado é que a mudança não está acontecendo apenas no cálculo do imposto.

Ela já está chegando aos sistemas.

Novos campos, novas classificações, alterações nos documentos fiscais e necessidade de parametrização fazem parte desse processo.

Para uma pequena empresa, isso pode parecer distante.

Não está.

Uma parametrização errada pode gerar problema na emissão de uma nota. E um problema na emissão da nota rapidamente vira problema comercial e financeiro.

Por isso, temos orientado nossos clientes a não esperar a Reforma “ficar pronta” para começar a olhar para a operação.

Ela já está acontecendo.

 

O que estamos olhando na Lima

Nossa orientação tem sido evitar decisões precipitadas.

Antes de recomendar uma mudança de regime, analisamos o negócio como um todo.

Primeiro, entendemos a composição das vendas e o perfil dos clientes. Depois, simulamos os impactos tributários e os créditos que podem ser aproveitados na cadeia. Também colocamos na conta o custo operacional de cada alternativa.

Só então conseguimos discutir qual caminho faz sentido.

Porque, no final, a questão não é simplesmente escolher entre Simples tradicional, Simples híbrido ou outro regime.

É entender qual estrutura deixa a empresa mais competitiva e sustentável dentro do novo sistema tributário.

E essa resposta pode ser diferente para duas empresas que hoje pagam praticamente o mesmo imposto.

 

Reynaldo Lima Jr.
CEO — Lima Contabilidade

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