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Reforma Tributária e pejotização: quando o imposto começa a influenciar a forma de contratar

Reforma Tributária e pejotização: quando o imposto começa a influenciar a forma de contratar A pejotização já é uma realidade no mercado brasileiro. E não dá para tratar esse assunto apenas como uma discussão entre empresa e trabalhador. A Reforma Tributária coloca mais uma variável nessa conta: o crédito tributário. Esse foi um dos pontos que discutimos recentemente com Rodrigo Espada, auditor fiscal e presidente da Febrafit e da FRESP. E a conversa chamou atenção justamente porque, quando colocamos a tributação da folha de um lado e o novo sistema de créditos do outro, aparece uma questão que merece ser acompanhada de perto. Não é simplesmente: “a empresa quer economizar”. A conta é bem maior.   Por que a pejotização voltou a ganhar força nessa discussão? O custo da folha de pagamento pesa bastante para as empresas brasileiras, principalmente no setor de serviços. E existe uma situação que a Reforma Tributária torna ainda mais interessante de analisar. A folha de pagamento não gera crédito de IBS. A lógica é relativamente simples: para existir crédito, precisa ter havido pagamento de imposto na etapa anterior. Como a folha não é tributada pelo IBS, não existe esse crédito para a empresa que mantém aquele trabalhador dentro da folha. Quando a empresa contrata outra empresa para prestar determinado serviço, a situação pode ser diferente. Se houver incidência do tributo nessa prestação, existe a possibilidade de geração de crédito, conforme as regras aplicáveis à operação. E aí começa a aparecer uma diferença que, para algumas empresas, pode ser relevante. Mas cuidado. Isso não significa que terceirizar ou transformar um funcionário em PJ seja automaticamente melhor.   A conta não termina no imposto Esse talvez seja o principal ponto que temos discutido. Quando uma pessoa passa de CLT para PJ, existe uma mudança grande na relação. A empresa passa a ter outros custos, como contabilidade, formalização, tributos e toda a estrutura necessária para manter aquela pessoa jurídica funcionando. Do outro lado, o profissional também precisa fazer uma conta que muitas vezes não aparece na comparação inicial. Um salário de R$ 10 mil como empregado não pode ser simplesmente comparado com R$ 10 mil recebidos como PJ. Existe férias, 13º salário, FGTS, contribuição previdenciária e benefícios que precisam entrar nessa conta. Por isso, quando alguém olha apenas para o valor mensal e diz “como PJ eu vou ganhar mais”, eu acho que vale parar um pouco. A comparação precisa ser anual. E precisa ser feita dos dois lados.   Para o profissional, existe uma questão ainda mais importante Rodrigo chamou atenção para um ponto que considero fundamental: a previdência. Se a pejotização acontece porque aquela pessoa realmente decidiu empreender, prestar serviços para diferentes clientes, organizar sua própria atividade e assumir os riscos do negócio, estamos falando de uma situação. É uma escolha profissional. Outra coisa é quando a pessoa deixa de ser empregada apenas porque aquela foi a única alternativa apresentada para continuar trabalhando. Nesse caso, o problema é outro. A pessoa precisa entender que, como PJ, ela não terá automaticamente as mesmas proteções que tinha como empregado. E a contribuição previdenciária precisa continuar sendo considerada. Não dá para olhar só para o valor que entra na conta corrente todos os meses. O futuro também precisa entrar na conta.   E onde a Reforma Tributária entra nisso? Aqui está o ponto que pode provocar mudanças no comportamento das empresas. Uma empresa que possui muitos funcionários tem uma despesa relevante com folha. Essa despesa, por si só, não gera crédito de IBS. Já determinados serviços contratados de terceiros podem gerar crédito, dependendo da operação e do regime tributário do prestador. Então, em algumas situações, a empresa pode começar a comparar duas estruturas: manter determinada atividade internamente ou contratar uma empresa para realizá-la. Essa comparação já existia antes. O que muda é que o sistema de créditos passa a fazer parte da matemática. E isso pode aumentar o incentivo econômico para determinadas terceirizações. Não significa que toda terceirização seja pejotização. E muito menos que a Reforma Tributária tenha criado uma autorização para transformar empregado em PJ. São assuntos diferentes. O risco trabalhista continua existindo e precisa ser analisado.   Onde o Simples Nacional entra nessa conta? Outro ponto discutido no programa foi justamente esse. Uma empresa prestadora de serviços enquadrada no Simples pode ter uma tributação diferente daquela de uma empresa em outro regime. Em determinadas situações, poderá haver geração de crédito para o contratante, conforme as regras aplicáveis. Só que esse crédito não vem de graça. A empresa prestadora terá seus próprios custos para operar como pessoa jurídica: contador, sistema, obrigações, tributos e toda a estrutura necessária. Então, quando uma empresa pensa em substituir uma contratação por uma prestação de serviços, não basta olhar o quanto vai economizar na folha. É preciso colocar tudo na ponta do lápis. Quanto custa o empregado? Quanto custa o prestador? Quanto imposto será pago? Existe crédito para o contratante? Qual será o preço final do serviço? E, principalmente, existe segurança jurídica nessa relação? Essa última pergunta não pode ficar de fora.   O risco de transformar uma questão tributária em uma decisão trabalhista Esse é um cuidado que considero essencial. Uma empresa não deve criar uma estrutura de contratação apenas porque ela parece mais barata do ponto de vista tributário. Se a relação continuar apresentando características típicas de emprego, o problema não desaparece porque existe um CNPJ emitindo nota fiscal. Por isso, a análise precisa envolver contabilidade, financeiro, jurídico e gestão de pessoas. Não é uma decisão para ser tomada olhando apenas uma planilha tributária.   Pode haver uma mudança na forma de financiar a Previdência Na conversa, surgiu também uma discussão interessante sobre possíveis caminhos para reduzir esse incentivo à pejotização. Uma das ideias debatidas é reduzir a tributação sobre a folha e deslocar parte dessa arrecadação para o faturamento das empresas. Hoje já existem atividades que trabalham com modelos desse tipo. A lógica seria reduzir o peso que existe sobre a contratação de pessoas sem necessariamente reduzir a arrecadação

Acadêmico Reynaldo Lima Jr. assume presidência da Fenacon

Acadêmico Reynaldo Lima Jr. assume presidência da Fenacon Consolidando sua representatividade no segmento contábil, a Academia Paulista de Contabilidade (APC) celebra a ascensão de mais um de seus membros ao comando de uma entidade nacional. O Acadêmico Reynaldo Lima Jr. assumiu, no dia 7 de agosto de 2026, a presidência da Federação Nacional das Empresas de Serviços Contábeis e das Empresas de Assessoramento, Perícias, Informações e Pesquisas (Fenacon). Realizada em São Paulo, a solenidade marcou a posse da diretoria para a Gestão 2026-2030 e também celebrou os 35 anos de atuação da Fenacon. Ao longo de sua trajetória, a Federação consolidou-se como uma das principais representantes do setor de serviços no País. O evento reuniu autoridades, parlamentares, lideranças dos setores contábil e empresarial, presidentes dos 41 sindicatos que integram o Sistema Fenacon e representantes de entidades parceiras. Entre as personalidades presentes estavam os Acadêmicos da APC Flávio Riberi, Eduardo Augusto Rocha Pocetti, Suely Gualano Bossa Serrati, Márcio Marcelo Belli, Domingos Orestes Chiomento, Marcia de Souza Montanholi, Antoninho Marmo Trevisan, José Aparecido Maion, Valmir Leôncio da Silva, José Donizete Valentina, Marcio Massao Shimomoto e Joaquim de Alencar Bezerra Filho, presidente do Conselho Federal de Contabilidade (CFC), entre outros. Empresário contábil e especialista em Reforma Tributária, Reynaldo Lima Jr. recebeu o cargo das mãos do então presidente Daniel Mesquita Coêlho, que encerrou um ciclo de quatro anos à frente da Federação. Durante seu pronunciamento, Daniel Coêlho destacou as conquistas alcançadas no período e reafirmou o compromisso da entidade com seus representados. Como reconhecimento por sua trajetória, recebeu uma homenagem especial da Fenacon durante a cerimônia. A celebração também abriu espaço para uma retrospectiva dos principais marcos, parcerias e conquistas da Gestão 2022-2026. Entre as iniciativas destacadas estiveram a capacitação sobre a Reforma Tributária realizada em todas as regiões do Brasil, em 2025, e a criação da Frente Parlamentar Mista da Contabilidade. A programação contou ainda com a apresentação do novo vídeo institucional da Fenacon, que reúne a identidade e os compromissos da gestão que agora se inicia. Daniel Coêlho também reconheceu a parceria mantida com a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) e destacou a continuidade de sua atuação na diretoria da entidade. “Quero agradecer também a CNC, Sesc e Senac, representada nesta noite pelo vice-presidente Leandro Domingos, e peço que levem minhas palavras de gratidão ao presidente Roberto Tadros. A CNC sempre demonstrou uma liderança de compromisso com todas as suas federações e tenho a certeza de que daremos continuidade a esses trabalhos”, declarou. Fenacon celebra 35 anos de atuação A posse da nova diretoria ocorreu em um momento simbólico para a Federação. Ao completar 35 anos, a Fenacon chega à nova gestão reunindo 41 sindicatos e representando mais de 400 mil empresas em todo o Brasil. Durante a cerimônia, o Acadêmico Joaquim de Alencar Bezerra Filho, presidente do CFC, ressaltou a trajetória construída pela entidade e sua capacidade de representação. Ao abordar o trabalho desenvolvido nos últimos anos por Daniel Coêlho e Reynaldo Lima Jr., Joaquim Bezerra destacou o fortalecimento institucional da Federação e a união dos sindicatos que integram o Sistema Fenacon. O presidente do CFC também chamou a atenção para a abrangência alcançada pela entidade. Embora tenha sua origem ligada à Contabilidade, a Fenacon atualmente representa um universo mais amplo de empresas de serviços, assessoramento, perícias e informações, participando de importantes debates econômicos e empresariais do País. Nova Gestão 2026-2030 Reynaldo Lima Jr. chega à presidência da Fenacon com uma trajetória consolidada no setor de serviços e na Contabilidade brasileira. Contador e administrador de empresas, esteve à frente do Sescon-SP entre 2019 e 2021, um dos maiores sindicatos do Sistema Fenacon. Na Academia Paulista de Contabilidade, ocupa a Cadeira nº 78, que tem como patrono o Contador Adauto César de Castro. Ao assumir a presidência, Lima Jr. destacou a experiência acumulada durante sua trajetória no Sescon-SP e, posteriormente, como vice-presidente da Fenacon. “Hoje é um dia muito especial. Tantos amigos presentes, tantas pessoas que vivenciaram a nossa trajetória, a nossa história, principalmente nos sindicatos, em todas as ações que a gente fez por todos os lugares que passou, principalmente na minha base, que é o Sescon-SP, que me deu toda a experiência, tudo o que eu aprendi”, afirmou. A nova gestão tem como slogan “Fortalecer, Integrar e Representar”, três pilares que traduzem o compromisso da diretoria com a ampliação da presença institucional da Fenacon, o fortalecimento dos sindicatos filiados e a defesa das mais de 400 mil empresas representadas em todo o Brasil. Em seu discurso de posse, Lima Jr. destacou que a Federação pretende fortalecer sua representação política, legislativa e institucional no setor de serviços. Entre as prioridades estão a Reforma Tributária e a melhoria do ambiente de negócios para micro e pequenas empresas. “Assumo hoje a presidência da Fenacon com muita honra, mas, acima de tudo, com um profundo senso de responsabilidade. Tenho plena consciência de que nenhuma conquista é construída individualmente. Toda trajetória é resultado da confiança, dos ensinamentos, das oportunidades e do apoio de tantas pessoas”, afirmou. O novo presidente também chamou a atenção para as transformações que atingem atualmente empresas e profissionais. Reforma Tributária, inteligência artificial, automação e transformação digital estão entre os temas que deverão ocupar a agenda da Federação nos próximos quatro anos. Antes mesmo da solenidade de posse, a nova diretoria executiva iniciou a construção do planejamento estratégico da Gestão 2026-2030. Acadêmicos presidem entidades nacionais Com um quadro formado por contadores, professores, peritos, empresários contábeis, auditores e profissionais de diferentes áreas ligadas à Contabilidade, a Academia Paulista de Contabilidade reúne, neste momento, Acadêmicos à frente de três importantes entidades nacionais representativas da classe contábil. Sebastian Yoshizato Soares preside a Diretoria Nacional do Instituto dos Auditores Independentes do Brasil (Ibracon). Joaquim de Alencar Bezerra Filho ocupa a presidência do Conselho Federal de Contabilidade (CFC). Agora, Reynaldo Lima Jr. assume a presidência da Federação Nacional das Empresas de Serviços Contábeis e das Empresas de Assessoramento, Perícias, Informações e Pesquisas (Fenacon). A presença dos três Acadêmicos à frente dessas instituições reforça a participação da APC nos principais espaços de representação, debate e desenvolvimento da Contabilidade brasileira. Texto: Lenilde

Acadêmico da APC, Reynaldo Lima Júnior assume a presidência da Fenacon para o mandato 2026–2030

Acadêmico da APC, Reynaldo Lima Júnior assume a presidência da Fenacon para o mandato 2026–2030   O Acadêmico Reynaldo Lima Júnior, ocupante da Cadeira nº 78 da Academia Paulista de Contabilidade -APC, cujo patrono é Adauto César de Castro, assumiu a presidência da Federação Nacional das Empresas de Serviços Contábeis e das Empresas de Assessoramento, Perícias, Informações e Pesquisas – Fenacon para o mandato 2026–2030. Reconhecido por sua atuação no fortalecimento das organizações contábeis e da representação empresarial, Reynaldo Lima Júnior inicia um novo ciclo à frente da entidade com uma agenda voltada ao fortalecimento da representatividade do setor, à integração dos 41 SESCONs e SESCAPs que compõem o Sistema Fenacon, à aceleração da transformação digital e ao aprofundamento do diálogo institucional com os poderes públicos e a sociedade. Contador e empresário contábil, Reynaldo construiu uma trajetória marcada pela liderança de entidades representativas. Foi presidente do Sescon-SP e consolidou-se como uma das principais vozes em defesa do ambiente de negócios, da valorização das empresas de serviços e da modernização da representação sindical no Brasil. Na Academia Paulista de Contabilidade, integra o quadro de Acadêmicos ocupando a Cadeira nº 78, reforçando o compromisso da instituição com a valorização de profissionais que contribuem para o desenvolvimento da Ciência Contábil e do ambiente empresarial brasileiro. Academia destaca a relevância da conquista Para o presidente da Academia Paulista de Contabilidade, Alexandre Sanches Garcia, a eleição de Reynaldo Lima Júnior representa o reconhecimento de uma trajetória construída com dedicação ao fortalecimento da classe contábil. “A Academia Paulista de Contabilidade recebe com grande satisfação a posse do Acadêmico Reynaldo Lima Júnior na presidência da Fenacon. Sua trajetória é marcada pelo diálogo, pela capacidade de liderança e pelo compromisso com o desenvolvimento das entidades representativas. É motivo de orgulho para a Academia ver um de seus membros assumir uma instituição de tamanha relevância nacional. Temos a convicção de que sua gestão contribuirá para fortalecer ainda mais o setor de serviços contábeis, ampliar a representatividade empresarial e impulsionar a inovação em benefício de toda a sociedade.” Ao assumir a presidência da Fenacon, Reynaldo Lima Júnior passa a liderar uma entidade que representa mais de 60 categorias econômicas, desempenhando papel estratégico na defesa do empreendedorismo, da modernização do ambiente de negócios e do fortalecimento das empresas de serviços em todo o País.

Simples Nacional na Reforma Tributária: o que muda para quem vende para outras empresas

Simples Nacional na Reforma Tributária: o que muda para quem vende para outras empresas Em 2026, uma das discussões que mais tem aparecido nas conversas com empresários é o futuro do Simples Nacional. E a dúvida é bastante razoável. O Simples continua existindo, continua sendo importante para milhões de empresas e continua fazendo sentido em muitos casos. O que mudou foi a forma de analisar se ele continua sendo a melhor escolha para cada negócio. Isso porque a Reforma Tributária trouxe uma questão que, até pouco tempo atrás, não fazia parte da decisão de muitos empresários: o crédito tributário que a sua empresa gera para o cliente. Esse ponto pode parecer técnico, mas tem uma consequência comercial bastante concreta.   O problema começa quando o seu cliente também é uma empresa No modelo tradicional do Simples Nacional, a empresa recolhe seus tributos dentro do regime simplificado. Só que existe uma diferença importante em relação ao novo sistema de IBS e CBS. A Reforma Tributária trabalha com a lógica da não cumulatividade. Em termos simples, quem está na cadeia pode aproveitar créditos dos tributos pagos nas etapas anteriores. É uma lógica que já existe em outros regimes e que agora ganha outra dimensão com o IBS e a CBS. Para uma empresa que vende diretamente ao consumidor final, essa questão pode ter um peso menor. Mas imagine uma empresa do Simples que fornece produtos ou serviços para outra empresa, especialmente uma empresa maior, que precisa aproveitar créditos tributários. A conversa muda. O cliente começa a olhar não apenas para o preço que está pagando, mas também para o crédito que consegue aproveitar daquela compra. E isso pode influenciar a decisão de compra.   É aqui que entra o Simples híbrido Foi justamente nesse contexto que surgiu o chamado modelo híbrido do Simples Nacional. A ideia é permitir que a empresa continue com parte dos tributos dentro da lógica do Simples, mas trate IBS e CBS de forma separada, seguindo a sistemática de não cumulatividade. Na prática, isso cria uma alternativa para empresas que precisam participar da cadeia de créditos sem necessariamente abandonar completamente o Simples. Mas não existe almoço grátis. O modelo pode resolver uma questão comercial, mas aumenta a complexidade da operação. A empresa passa a precisar de mais controle, mais informação e um sistema capaz de tratar corretamente essas operações. É aí que começa uma discussão que, na nossa visão, ainda está sendo pouco explorada. O Simples continua simples para quem? Porque uma coisa é olhar apenas para a alíquota. Outra é olhar para o negócio inteiro.   O preço do produto pode não contar toda a história Vamos imaginar duas empresas vendendo o mesmo produto. Uma está no Simples tradicional e consegue oferecer um preço menor. A outra está em uma estrutura que permite ao comprador aproveitar mais créditos tributários e, por isso, apresenta um preço um pouco maior. À primeira vista, a empresa mais barata parece ser a escolha óbvia. Mas, quando o comprador coloca o crédito na conta, a diferença pode diminuir bastante. É justamente esse tipo de cálculo que começamos a fazer com nossos clientes. Não basta perguntar quanto a empresa vai pagar de imposto. Precisamos perguntar também quem compra dela, como esse cliente está tributado e qual é o impacto do crédito na negociação. Essa análise muda bastante a decisão.   B2B e B2C podem ter comportamentos diferentes Esse é um ponto que merece atenção. Se uma empresa vende predominantemente para consumidor final, a questão do crédito pode ter uma influência menor na decisão comercial. Agora, quando boa parte do faturamento vem de outras empresas, principalmente empresas do Lucro Real ou de estruturas que aproveitam créditos, o cenário é outro. Nesse caso, permanecer no Simples tradicional pode produzir um efeito que não aparece na guia de impostos: a perda de competitividade comercial. Não significa que toda empresa B2B deva sair do Simples. Longe disso. Significa que a decisão precisa deixar de ser automática.   O custo da mudança também precisa entrar na conta Existe outro lado dessa discussão que às vezes fica esquecido. Adotar uma estrutura mais complexa significa também aumentar o custo de operação. Será necessário revisar sistemas, processos, cadastros, emissão de documentos fiscais e controles internos. Dependendo do negócio, isso pode exigir investimento em tecnologia e acompanhamento contábil mais próximo. Por isso, não adianta olhar somente para a diferença de tributação. Temos que colocar na mesma conta o custo operacional da mudança. Em alguns negócios, o modelo híbrido pode fazer sentido. Em outros, o Simples tradicional continuará sendo mais adequado. E haverá situações em que vale estudar inclusive outros regimes tributários. Não existe uma resposta única.   A Reforma está mudando a forma de pensar o Simples Durante muito tempo, a pergunta era relativamente simples: “Qual regime faz a empresa pagar menos?” Essa pergunta continua importante, mas já não é suficiente. Hoje precisamos olhar para a cadeia inteira. Quem são os clientes? Quanto das vendas é B2B? Quanto é B2C? Os clientes aproveitam créditos? Qual é a margem da empresa? Quanto custa operar dentro de uma estrutura mais complexa? E, principalmente, qual será o efeito disso na formação do preço? Essa análise passa a ser muito mais importante durante o período de transição da Reforma Tributária.   E ainda temos a questão operacional Outro ponto que temos observado é que a mudança não está acontecendo apenas no cálculo do imposto. Ela já está chegando aos sistemas. Novos campos, novas classificações, alterações nos documentos fiscais e necessidade de parametrização fazem parte desse processo. Para uma pequena empresa, isso pode parecer distante. Não está. Uma parametrização errada pode gerar problema na emissão de uma nota. E um problema na emissão da nota rapidamente vira problema comercial e financeiro. Por isso, temos orientado nossos clientes a não esperar a Reforma “ficar pronta” para começar a olhar para a operação. Ela já está acontecendo.   O que estamos olhando na Lima Nossa orientação tem sido evitar decisões precipitadas. Antes de recomendar uma mudança de regime,

Reforma Tributária e o novo ambiente de negócios: o que muda para as empresas e para as cidades

Reforma Tributária e o novo ambiente de negócios: o que muda para as empresas e para as cidades Quando a gente fala em Reforma Tributária, normalmente a conversa vai para IBS, CBS, alíquotas, créditos e toda aquela parte mais técnica. Mas existe uma mudança que, na minha visão, merece bastante atenção e que ainda está sendo pouco discutida: a forma como as empresas vão decidir onde investir e onde manter suas operações. Esse assunto apareceu recentemente em uma conversa com Rodrigo Espada, auditor fiscal e presidente da Febrafit e da FRESP, e trouxe uma questão que considero importante para os empresários: se o imposto deixar de ser o principal argumento para escolher onde uma empresa vai operar, o que passa a pesar nessa decisão? A resposta provavelmente está em coisas que muitas empresas já deveriam considerar hoje, mas que durante anos acabaram ficando em segundo plano. Quando o benefício fiscal pesava mais que a operação Durante muito tempo, estados e municípios usaram benefícios fiscais como ferramenta para atrair empresas. Na prática, uma empresa podia aceitar ficar mais distante dos seus fornecedores ou do mercado consumidor porque a vantagem tributária compensava essa distância. Era uma conta que fazia sentido dentro daquele modelo. O problema é que, em alguns casos, o benefício fiscal acabava escondendo custos que estavam na operação: transporte, logística, estoque, prazo de entrega, deslocamento de funcionários e até dificuldade para encontrar mão de obra. Com a Reforma Tributária, essa lógica começa a mudar. O imposto vai acompanhar o destino A mudança para a tributação no destino é um dos pontos mais importantes da Reforma. Com o novo modelo, a arrecadação passa gradualmente a considerar o local onde o consumo acontece, e não simplesmente onde a empresa está instalada. Isso muda bastante a conversa. Se antes uma empresa podia olhar para determinado estado ou município e pensar primeiro no benefício fiscal, daqui para frente será necessário olhar o conjunto da operação. Quanto custa produzir ali? Como é a logística? Onde estão meus clientes? Tenho mão de obra disponível? A infraestrutura atende o que eu preciso? São perguntas que sempre deveriam fazer parte dessa decisão. A diferença é que, com a redução da importância dos incentivos de origem, elas passam a ganhar ainda mais peso. E para as cidades? A mudança também atinge diretamente estados e municípios. Durante anos, muitos municípios buscaram empresas oferecendo incentivos para que elas se instalassem em determinado território. Só que, com a tributação no destino, essa estratégia perde parte da força. E aí surge um desafio importante para os gestores públicos. Não basta mais simplesmente atrair uma empresa. É preciso criar condições para que pessoas e negócios permaneçam naquela cidade. Infraestrutura, segurança, mobilidade, serviços públicos, qualidade de vida e até turismo passam a ter uma relação maior com a capacidade de um município de gerar e manter atividade econômica. É uma mudança de lógica. Nem todo mundo vai sentir isso da mesma forma Também precisamos ter cuidado para não transformar essa mudança em uma conclusão simples demais. A transição será longa. A substituição do ICMS e do ISS pelo IBS acontece gradualmente e vai até 2033. Além disso, existem mecanismos de compensação e fundos previstos na própria reforma para reduzir os impactos sobre os entes que podem perder arrecadação durante esse processo. Então não estamos falando de uma mudança que acontece de uma hora para outra. Mas ela precisa entrar nas contas de quem está tomando decisões agora. A empresa precisa começar a olhar mais longe Esse talvez seja o principal ponto para os empresários. Uma decisão de investimento não pode mais ser tomada olhando apenas para a fotografia de 2026. Se estamos falando de construir uma fábrica, abrir um centro de distribuição ou mudar uma operação importante, estamos falando de investimentos que vão permanecer por muitos anos. E a pergunta precisa ser: essa operação continua fazendo sentido quando a transição tributária terminar? É aí que entra a necessidade de fazer simulações. Não apenas da carga tributária, mas do custo total da operação. Às vezes, uma localização que parece interessante hoje pode deixar de ser tão competitiva alguns anos depois. E o contrário também pode acontecer. O que temos discutido com nossos clientes Aqui na Lima Contabilidade, temos reforçado que a Reforma Tributária não deve ser tratada apenas como um assunto do departamento fiscal. Ela precisa entrar na conversa de planejamento da empresa. Uma decisão de localização, expansão ou investimento precisa considerar tributação, logística, custos, mercado consumidor, fornecedores e estrutura operacional. A Reforma está mudando uma parte importante dessa equação. Durante muito tempo, o imposto ajudou a definir onde algumas empresas queriam estar. Agora, essa decisão tende a voltar para uma pergunta mais simples: onde a operação realmente funciona melhor? E, para quem está tomando decisões de investimento hoje, esperar 2033 para descobrir a resposta pode sair caro. Reynaldo Lima Jr.CEO — Lima Contabilidade

IBS e CBS em 2026: o detalhe que muita empresa ainda não percebeu

IBS e CBS em 2026: o detalhe que muita empresa ainda não percebeu Se eu perguntasse hoje quantos empresários acreditam que IBS e CBS só começam em 2027, provavelmente a maioria levantaria a mão. Essa resposta até faz sentido. O problema é que ela não conta toda a história. Nas últimas semanas esse assunto apareceu várias vezes aqui na Lima Contabilidade. E não porque surgiu uma lei nova. Na verdade, durante alguns atendimentos percebemos que um detalhe importante da regulamentação continua passando despercebido por muita gente. A reforma tributária ainda está em transição. Mas isso não significa que ela esteja parada. Ela já começou a produzir efeitos, principalmente para empresas que estão no Lucro Presumido e no Lucro Real. Quando saiu a notícia de que o prazo para adaptação dos sistemas havia sido prorrogado, muitos empresários respiraram aliviados. A impressão era simples: “ganhamos mais alguns meses”. Só que a conversa não termina aí. A emissão da nota fiscal passou a ter um papel diferente dentro da reforma. Ela deixou de ser apenas o documento que registra uma venda. Neste período de transição, ela também demonstra que a empresa está cumprindo uma obrigação prevista na nova legislação. Pode parecer apenas um detalhe técnico. Mas é justamente nesses detalhes que costumam surgir os maiores problemas. Muita gente imagina que adaptar a nota fiscal significa apenas acrescentar dois campos, um para o IBS e outro para a CBS. Quem já começou esse trabalho sabe que está longe de ser só isso. Os layouts mudaram. Entraram novas classificações tributárias, novos códigos, novos campos obrigatórios e novas informações que precisam conversar entre si. Dependendo do sistema utilizado, não basta atualizar uma versão do software. É preciso revisar cadastros antigos, conferir parametrizações e verificar se produtos e serviços continuam classificados corretamente. Tem empresa descobrindo isso agora. Outro ponto que merece atenção é que nem sempre a empresa consegue resolver tudo sozinha. Em muitos casos, principalmente nas notas fiscais de serviço, a adequação depende do ambiente disponibilizado pela própria prefeitura. Alguns municípios avançaram rapidamente. Outros ainda estão ajustando seus sistemas. Por isso, temos orientado nossos clientes a acompanhar não apenas o fornecedor do ERP, mas também o município onde a nota será emitida. Parece um detalhe pequeno, mas pode fazer toda a diferença quando chegar o momento de faturar. Quando esse assunto aparece, normalmente a primeira pergunta é sempre a mesma: “Vou precisar recolher IBS e CBS agora?” Curiosamente, essa nem costuma ser nossa maior preocupação. O que realmente nos preocupa é outra situação. Imagine a empresa chegar no início do mês, precisar emitir uma nota para receber de um cliente importante e descobrir naquele momento que o sistema não está preparado. Não conseguir faturar por uma questão operacional pode gerar um impacto muito maior do que qualquer discussão tributária. É justamente por isso que temos insistido tanto na preparação antecipada. Também vale separar as situações. As empresas enquadradas no Simples Nacional continuam seguindo regras específicas durante essa fase de transição e, neste momento, não estão obrigadas ao destaque do IBS e da CBS como acontece com os demais regimes. Já para empresas do Lucro Presumido e do Lucro Real, essa adaptação deixou de ser um assunto para depois. Quanto maior a operação da empresa, maior costuma ser a dependência desses ajustes. E maior também o prejuízo caso o processo pare. Aqui na Lima Contabilidade, nossa preocupação tem sido muito mais operacional do que tributária. Antes de discutir alíquotas, estamos revisando cadastros. Conferindo layouts. Validando sistemas. Conversando com fornecedores de software. Pode parecer excesso de cuidado. Mas preferimos encontrar um problema agora do que descobrir tudo isso no dia em que a empresa precisar emitir uma nota para fechar o faturamento do mês. Existe uma sensação de que a reforma tributária ainda está distante. No dia a dia do escritório, essa percepção já mudou faz tempo. Ela começou de forma silenciosa. Primeiro alterando layouts. Depois exigindo novas informações. Agora modificando processos internos que pareciam consolidados há anos. Ainda estamos em um período de transição, é verdade. Alguns pontos continuam dependendo de regulamentação e ajustes técnicos. Mas uma coisa já ficou evidente. Esperar a obrigatoriedade total para começar a se organizar dificilmente será a decisão mais segura. Quem aproveitar este momento para revisar processos, sistemas e informações terá muito mais tranquilidade quando a próxima etapa da reforma entrar definitivamente em vigor. Reynaldo Lima Jr.CEO — Lima Contabilidade

Reforma Tributária e Contabilidade: O que ainda não está escrito nas normas pode impactar sua empresa

Reforma Tributária e Contabilidade: O que ainda não está escrito nas normas pode impactar sua empresa Uma pergunta tem aparecido com frequência cada vez maior nas conversas sobre a Reforma Tributária: Já existem regras contábeis definidas para aplicar o novo sistema tributário? A resposta, pelo menos neste momento de 2026, é mais simples do que muitos imaginam: ainda não. Recentemente tivemos a oportunidade de discutir esse tema com o professor Eliseu Martins, uma das maiores referências da contabilidade brasileira, e a conversa trouxe reflexões importantes para empresários, gestores e profissionais da área contábil. O que percebemos é que existe uma expectativa natural de que a reforma tributária venha acompanhada de um conjunto completo de normas contábeis. Mas a realidade ainda não é essa. A reforma avançou mais rápido que as orientações contábeis. A legislação tributária vem sendo construída e regulamentada gradativamente. Por outro lado, os órgãos responsáveis pelas normas contábeis ainda não emitiram um conjunto específico de regras para tratar dos efeitos da reforma. Temos observado que tanto o ambiente contábil quanto o próprio mercado ainda estão analisando diversos pontos que dependem da evolução da regulamentação. Na prática, isso significa que muitas decisões estão sendo tomadas com base nos princípios contábeis já existentes e na interpretação técnica dos profissionais envolvidos. Não há, neste momento, uma mudança de conceito contábil. E esse é um ponto importante. O resultado da empresa continua sendo o mesmo. Uma percepção equivocada que encontramos com frequência é a ideia de que a reforma tributária irá alterar a essência da contabilidade. Não é isso que está acontecendo. A demonstração do resultado continua tendo o mesmo objetivo. O balanço continua tendo o mesmo objetivo. Os usuários das demonstrações financeiras continuam sendo os mesmos. O que muda é a forma como determinadas operações precisarão ser controladas e evidenciadas. Em outras palavras: a contabilidade não muda sua finalidade, mas alguns processos internos certamente precisarão mudar. A contabilidade existe para o gestor — e não apenas para o fisco. Talvez uma das reflexões mais relevantes dessa discussão seja justamente essa. Durante muitos anos, especialmente em empresas menores e médias, a contabilidade acabou sendo vista apenas como uma obrigação fiscal. Mas a sua função sempre foi muito maior. Quem toma decisão precisa de informação. Quem investe precisa de informação. Quem administra caixa, margem e rentabilidade precisa de informação. Temos reforçado isso constantemente aos nossos clientes. A reforma tributária cria novos desafios operacionais, mas também abre espaço para que a contabilidade volte a ocupar um papel mais estratégico dentro das organizações. O Split Payment merece atenção desde agora. Entre os diversos temas debatidos atualmente, poucos chamam tanta atenção quanto o chamado split payment. Embora sua implementação completa ainda dependa do cronograma da reforma, os impactos operacionais já começam a ser estudados pelas empresas. O impacto não está apenas no imposto. Está também no caixa, nos controles e na gestão financeira. Novos controles contábeis serão necessários. As empresas precisarão de controles mais robustos, mais rastreabilidade e maior integração entre as áreas fiscal, financeira e contábil. A orientação atual é começar essa preparação antes que a obrigatoriedade esteja totalmente implementada. Reynaldo Lima Jr.CEO — Lima Contabilidade

Fim da Escala 6×1: O Que Pode Mudar de Verdade para as Empresas

Fim da Escala 6×1: O Que Pode Mudar de Verdade para as Empresas Agora o assunto parece ter saído do campo da discussão e entrado de vez na pauta política. Governo e Câmara chegaram a um acordo para avançar com o fim da escala 6×1, reduzindo a jornada semanal de 44 para 40 horas, mantendo os salários e estabelecendo dois dias obrigatórios de descanso por semana. A votação na Comissão Especial está prevista para o dia 27 de maio. Se houver aprovação, o texto segue para o plenário já no dia seguinte e depois vai para o Senado. Pelo que vem sendo discutido, a intenção do governo é concluir isso ainda neste semestre — e sem uma transição longa para adaptação. E esse talvez seja um dos pontos que mais preocupa quem está na operação das empresas: a possibilidade de a mudança entrar em vigor muito rápido. O que está sendo discutido na prática A PEC altera a Constituição para transformar o modelo 5×2 em padrão. Paralelamente, deve existir uma lei complementar justamente para tratar diferenças entre os setores, porque é evidente que cada operação funciona de um jeito. Uma empresa de tecnologia consegue ter uma flexibilidade muito maior do que um supermercado, uma indústria ou um hospital, por exemplo. As convenções coletivas também ganham importância nesse cenário, permitindo negociações específicas conforme a realidade de cada segmento. Onde as empresas devem sentir mais impacto Quem trabalha com operação contínua provavelmente já começou a fazer conta. Comércio, logística, restaurantes, indústria, segurança, saúde, supermercados… qualquer negócio que depende de cobertura diária pode ter aumento relevante de custo operacional. Em muitos casos, reduzir jornada significa aumentar equipe, reorganizar turnos ou acelerar investimentos em automação. E, sendo bem sincero, pequenas e médias empresas tendem a sentir isso de forma mais pesada, principalmente as que operam com margens apertadas e dependem muito de mão de obra presencial. Ao mesmo tempo, empresas que já vêm investindo em tecnologia, processos e produtividade talvez consigam absorver essa mudança de forma menos traumática. Algumas já operam próximas desse modelo sem perceber. O que eu faria agora se estivesse na gestão Esperar a aprovação para começar a analisar talvez seja um erro. Independentemente da posição de cada um sobre a proposta, o ideal é começar desde já a entender o impacto operacional e financeiro que isso pode gerar. Principalmente porque ninguém sabe ainda qual será o prazo real de adaptação. Vale revisar escalas, avaliar necessidade de contratação, medir custo adicional de cobertura e entender onde processos podem ser otimizados. Tem muita empresa que ainda funciona no limite operacional. E qualquer redução de carga horária pode gerar um efeito em cadeia importante. Inclusive, existe um ponto que pouca gente comenta: negócios menores do interior, que já têm dificuldade para contratar, podem enfrentar um desafio ainda maior dependendo da atividade. Minha leitura sobre o cenário A discussão sobre redução de jornada não é nova e existem países e empresas que tiveram ganhos interessantes em produtividade, retenção e até redução de afastamentos. Mas isso depende muito da forma como a implementação é feita. Na prática, alguns setores conseguem se adaptar com relativa facilidade. Outros não têm essa flexibilidade toda. Por isso, as negociações coletivas provavelmente vão ter um papel decisivo daqui para frente. No fim, o debate deixou de ser “se vai acontecer” e passou a ser “como isso vai funcionar na prática”. E quem começar a entender os impactos antes tende a sofrer menos quando a mudança realmente chegar. Reynaldo Lima Jr.CEO — Lima Contabilidade  

Criptativo no IR: Como declarar Bitcoin sem complicar

  Criptativo no IR: Como Declarar Bitcoin Sem Complicar Você comprou Bitcoin por R$ 10 mil em fevereiro. Chega dezembro e ele já está valendo R$ 50 mil. A dúvida aparece quase na mesma hora: preciso declarar isso no Imposto de Renda? E qual valor entra? A resposta é mais simples do que parece. Sim, você precisa declarar. Mas o valor informado continua sendo os R$ 10 mil pagos na compra. Muita gente acredita que deve atualizar o valor conforme a cotação sobe. Não funciona assim. Na declaração, o que importa é o custo de aquisição, ou seja, quanto você realmente pagou pelo ativo. E esse é justamente um dos erros mais comuns de quem começou a investir em cripto há pouco tempo. Bitcoin, Ethereum, NFT, tokens e outros ativos digitais podem parecer coisas muito diferentes entre si, mas para a Receita Federal todos entram como bens que você adquiriu. A lógica é parecida com a de um carro, um imóvel ou aplicações financeiras. Se comprou, precisa declarar. Hoje, as operações com criptativos já estão muito mais visíveis para a Receita do que muita gente imagina. Corretoras fornecem informações, movimentações deixam registros e boa parte das operações consegue ser rastreada. Por isso, tentar “deixar passar” normalmente acaba virando dor de cabeça depois. O ponto principal é entender como informar corretamente. Imagine este cenário: você comprou 1 Bitcoin por R$ 10 mil e, no final do ano, ele passou a valer R$ 50 mil. Na declaração, o valor continua sendo R$ 10 mil. O aumento da cotação não altera automaticamente o valor declarado na ficha de Bens e Direitos. Você informa aquilo que desembolsou na compra, não o preço atual de mercado. Isso acontece também com outros bens. Um imóvel pode valorizar bastante ao longo dos anos, mas isso não significa que o contribuinte atualiza o valor todos os anos na declaração. A tributação só entra quando existe venda com lucro. Se você comprou um ativo por R$ 10 mil e vendeu por R$ 30 mil, houve um ganho de R$ 20 mil. É esse lucro que pode gerar imposto sobre ganho de capital. E aqui existe um detalhe importante: o que conta é o valor efetivamente recebido na venda, não a maior cotação que o ativo atingiu em algum momento. Por exemplo, imagine que seu Bitcoin chegou a valer R$ 50 mil durante o ano, mas depois caiu e você decidiu vender por R$ 30 mil. Nesse caso, o lucro considerado continua sendo R$ 20 mil, porque foi esse o ganho real obtido na operação. Outro ponto importante envolve o limite mensal de vendas. Quando o total vendido em criptativos ultrapassa R$ 35 mil no mesmo mês, o lucro obtido pode passar a ser tributável. Abaixo desse limite, dependendo da operação, pode existir isenção. Por isso, acompanhar apenas o lucro não basta. O volume total vendido também faz diferença. Existe ainda uma situação que costuma gerar bastante dúvida: troca de uma criptomoeda por outra. Muita gente acredita que trocar Bitcoin por Ethereum, por exemplo, não gera efeito tributário. Mas a Receita entende essa operação como uma venda de um ativo seguida da compra de outro. Dependendo do lucro e do valor movimentado, isso também pode gerar tributação. Para evitar problemas futuros, vale a pena manter toda a documentação organizada desde o começo. Extratos de corretoras, comprovantes de compra, registros de venda e histórico de movimentações ajudam muito na hora de preencher a declaração corretamente. Quanto maior o volume de operações, mais importante isso se torna. E para quem movimenta valores mais altos ou faz operações com frequência, ter um contador que conheça tributação de ativos digitais pode evitar bastante dor de cabeça. No fim das contas, criptativo não é um assunto tão complicado quanto parece. A lógica principal é simples: você declara pelo valor que pagou, acompanha corretamente suas vendas e mantém suas operações organizadas. Quem entende isso desde cedo normalmente consegue investir com mais tranquilidade e evita problemas desnecessários com a Receita Federal depois. Reynaldo Lima Jr.CEO — Lima Contabilidade  

O Imposto de Renda 2026 e a era da Tolerância Zero

O que mudou na nossa prática aqui na Lima Um alerta que faço questão de compartilhar: o Imposto de Renda deixou de ser um “ajuste de contas” para se tornar uma auditoria completa em tempo real. Se você ainda enxerga a declaração como um formulário que se preenche até o final de Maio, você está correndo um risco que o cenário atual não tolera mais. O que temos observado no dia a dia aqui na LIMA a maioria dos dados laçados na declaração não são erros de má-fé, mas sim o colapso do modelo cultural  de “deixar para  última hora”. Porém o fisco não está mais esperando você contar o que fez; ele está apenas cruzando a versão dele com a sua. Diante dessa afirmação vamos fazer alguns alertas sobre alguns pontos que podem levar o contribuinte ao erro: 1. A armadilha da “confortável” declaração pré-preenchida A facilidade da declaração pré-preenchida trouxe um efeito colateral perigoso: a transferência da responsabilidade. Muitos contribuintes acreditam que, se o dado já está lá, ele está correto. E pasmem não está! Na prática, temos visto muitos erros de classificação de rendimentos e, principalmente, de informações de fontes pagadoras que ainda não foram atualizadas. O sistema da Receita é eficiente, mas não é infalível. Quando você aceita um dado errado da pré-preenchida, o ônus da prova de que aquele valor está incorreto passa a ser seu. Por isso a orientação que damos aqui é clara: a pré-preenchida é o seu ponto de partida para conferência, nunca o seu ponto final. 2. Onde o cruzamento de dados está sendo implacável Se eu pudesse listar os pontos que estão levando clientes para a malha fina de forma quase imediata em 2026, seriam estes três: A Evolução Patrimonial Inexplicável: O sistema cruza sua variação de bens com sua renda declarada. Por exemplo, se você comprou um imóvel, trocou de carro ou aumentou seus investimentos, mas sua renda líquida (descontados os gastos de subsistência) não comporta esse crescimento, o alerta dispara. O Leão agora “enxerga” o seu padrão de vida através da movimentação bancária e do cartão de crédito. A Multiplicidade de Fontes e os Rendimentos Isentos: Para quem é empresário, sócio ou investidor, a confusão entre o que é pró-labore, o que é distribuição de lucros e o que é rendimento de aplicação financeira tem sido um prato cheio para a malha fina. O cruzamento entre a ECF/Reinf  das empresas e o seu CPF é automático e  em caso de divergência, é malha fina na certa. O “Esquecimento” de Ativos Digitais e Contas no Exterior: Com a regulamentação cada vez mais apertada sobre criptoativos e contas em bancos digitais estrangeiros, o que antes era uma “zona cinzenta” agora é campo minado. A Receita Federal tem convênios de troca de informações que tornam quase impossível manter esses ativos invisíveis por muito tempo. 3. O risco retroativo: A inconsistência que viaja no tempo Mesmo que a sua declaração esteja “processada”, não se iluda, a receita tem 5 anos para encontrar inconsistências e leva-lo para a malha. Outro ponto é que o erros de 2026 pode “desenterrar” problemas de 2024 ou 2025. Como o sistema agora trabalha com uma base de dados histórica e conectada, uma correção feita hoje pode gerar uma inconsistências anos atrás. O risco não está mais no presente; ele é sistêmico. Como estamos trabalhando a estratégia de defesa aqui na Lima Para nós, a estratégia atual não é mais sobre “fazer o IR”, mas sobre gestão de conformidade da sua declaração de Imposto de Renda. De que forma: Antecipação: Não esperamos o prazo. Analisamos a movimentação financeira antes mesmo do programa da Receita ser liberado. Conciliação: Cruzamos o que o cliente “acha” que tem com o que as instituições financeiras e o fisco dizem que ele tem. Documentação: No cenário atual, ter o documento guardado informados na declaração deve ser guardado também por cinco anos e é tão importante quanto o lançamento correto. O sistema identifica a incoerência rápido, e a sua velocidade de resposta para evitar multas pesadas depende da sua organização prévia. Conclusão direta: O Imposto de Renda 2026 exige uma mudança de postura. Ele exige que você seja o gestor da sua informação. Quem preventivamente se organiza  de janeiro a dezembro, dorme tranquilo. Quem deixa para a última hora, acaba correndo riscos desnecessários. Estamos aqui para garantir que a sua história financeira pessoal seja contada com coerência e segurança. No fim das contas, a melhor declaração não é a mais rápida, mas a que não gera perguntas extras do Leão. Reynaldo Lima Jr. CEO — Lima Contabilidade

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